Páginas

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Carta do leitor 5 ano

Carta do Leitor  é um gênero textual em que o leitor se dirige a um jornal ou revista para comentar, criticar ou elogiar uma matéria ou carta publicada em edições anteriores.
Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção destinada a cartas do leitor ― em geral conhecida como "Cartas à Redação", "Painel do Leitor", entre outros títulos.
Essa seção oferece um espaço para que o leitor faça elogios ou críticas a uma matéria publicada, ou mesmo sugestões. Os comentários podem referir-se às ideias de um texto, com as quais o leitor pode concordar ou não; à maneira como o assunto foi abordado (neste caso, um leitor mais conservador pode afirmar que determinada questão foi tratada de forma muito liberal); ou à qualidade do texto em si (pode-se achar que o autor abusou de clichês, por exemplo).
É possível também fazer alusão a outras cartas de leitores, para concordar ou não com o ponto de vista expresso nelas.
A linguagem da carta do leitor costuma variar conforme o perfil dos leitores da publicação. Pode ser mais descontraída, se o público é jovem, ou ter um aspecto mais formal.
Esse tipo de carta apresenta formato parecido com o das cartas pessoais: data, vocativo (a quem ela é dirigida), corpo do texto, despedida e assinatura. Porém, quando necessário, a equipe de redação do jornal ou revista adapta as cartas do leitor a seu estilo e as reduz para encaixá-las na seção reservada a elas, mantendo apenas uma parte do corpo.
Quando publicadas, as cartas costumam ser agrupadas por assunto. Assim, reúnem-se as que se refiram à mesma notícia ou reportagem em um mesmo bloco, que recebe um título.  Leia, abaixo, as cartas do leitor. 
Em "Natalidade livre", o leitor afirma concordar com duas leitoras que defendem o controle da natalidade e depois expõe seu próprio ponto de vista; na mesma carta, ele discorda de outro leitor e expõe um argumento que justifica sua posição.
Nas cartas sobre o problema dos "Limites ao fumo", apresentam-se posicionamentos diferentes com relação à proibição do fumo em algumas situações. Os dois leitores expõem argumentos que sustentam o que afirmam.
Veja também que os critérios que um grande jornal brasileiro usa para selecionar os textos que aparecerão em sua seção de cartas. Note que os extensos podem ser resumidos pelo jornal.
           Bezerra (2005) afirma que o gênero cartas do leitor são uma espécie
de   subgênero   carta.   Isto   porque   as   cartas   têm   em   comum   a   estrutura
básica, (como por exemplo, o núcleo da carta). No entanto, as cartas são variadas   em   suas   formas   de   realização,   em   seus   objetivos,   intenções,
propósitos (carta pedido, carta resposta, carta pessoal, carta ao leitor...).
           As  cartas do leitor  diferenciam-se um pouco das cartas tradicionais por abordarem diretamente o assunto a ser discutido, por serem curtas e não apresentarem as saudações (prezado senhor, querido amigo), nem as despedidas tradicionais (um grande abraço).
Nos jornais e revistas, há um espaço próprio destinado para que as cartas dos leitores sejam publicadas. Quando uma carta é enviada para a publicação, o leitor precisa identificar-se colocando nome completo, o nº.de   identidade   e   endereço   e   é   responsabilizado   pelo   que   escreve.   Nem todas as cartas são publicadas, pois passam por uma seleção e podem ser resumidas   ou   parafraseadas.   Cada   jornal   ou   revista   segue   critérios
próprios de publicação.
           O propósito comunicativo de uma revista ou jornal pode variar. Os temas   podem   ser   diferentes,   assim   como   um   mesmo   assunto   pode   ser abordado   de   formas variadas.   Cada   um   tem   um   público   alvo   (homem, mulher,   jovem,  criança).   Estes   fatores   influenciam   os   leitores   frente   às reportagens,   notícias,   em   outras   pedem   conselhos,   orientações,   sobre assuntos   relacionados   à   adolescência:   gravidez   e   relacionamentos pessoais.
          A publicação das cartas segue normas, que variam de acordo com cada revista ou jornal, como por exemplo, as que são enviadas à Revista Veja  devem  trazer  assinatura,  o  endereço,  o  número   da  identidade  e  o telefone   do   autor.   A   seleção   das   cartas   parte   de   alguns   critérios   como clareza,   conteúdo,   que   são   adotados   pela   direção   da   revista.   Também, não há espaço para a publicação de todas as cartas recebidas. Assim, são lidas,   analisadas   e   somente   publicadas   as   selecionadas   pelo   editor   da
seção Cartas e pela direção da Veja.Além   disso,   os   objetivos   das   revistas   ou   jornais   devem   ser observados. Não se escreve para uma revista de informação como a Veja
da mesma forma que se escreve para a revista Capricho, como podemos verificar nas seguintes cartas publicadas em julho de 2008:

Galeraa,   Capricho,   eu   gostariaa   de   pedir   novamente   que
vocês       façam uma matéria sobre a luta livre (WWE). Sou
fanática e gostaria de saber mais, muito mais desse esporte.
Obrigadaa, Bzo Laizinha Hardy
                                                                                                          
  Laizinha Hardy
                                                                                                             
 Campinas-SP
                              (Revista Capricho, julho de 2008)

A escola de tempo integral melhoraria muito a condição do
ensino no Brasil, mas essa não é uma premissa para nossos
governantes que alegam falta de recursos financeiros, o que
nem sempre é verdade.
                                    
 Luiz César Pessoa Pinto
                                                                                                           
Formiga-MG
                               (Revista Veja, ed. 2069, ano 41, nº. 28, 16 de julho de 2008, p.37)

         As   cartas   dos   leitores   definem-se   como   gêneros   na   medida   elas compartilham   um   determinado   propósito   comunicativo   e   estabelecem
uma interlocução do leitor com o meio de informação.
         Para   fins   de   exemplificação,   reproduzimos   a   seguir   alguns   títulos
utilizados por jornais e revistas para denominar a seção que traz as cartas
dos leitores:
Jornais:
• Folha de São Paulo: Painel do leitor;
• Gazeta do Povo: Coluna do leitor;
• O Estado do Paraná: O mural do leitor;
•  Folha de Irati: Opinião do leitor.

Revistas:
• Revista Veja: Cartas;
11
• Superinteressante: Desabafa, solte o verbo;
• Capricho: Diz, AÍ.


        Enfim, a produção deste gênero proporciona um espaço para que o leitor   possa   expor   seu   ponto   de   vista   a   respeito   de   qualquer   assunto,apresentar   críticas,   fazer   sugestões,   discordar   de   um   ponto   de   vista,participar da formação da opinião pública.
Bezerra   (2005)   afirma  que  as cartas  do   leitor   atendem  propósitos comunicativos  de  elogiar,   criticar,  opinar,   reclamar,   retificar,  comunicar,agradecer,   solicitar,   como   mostram   os   exemplos   abaixo   retirados   da Revista Veja em 2008.

• elogiar:
                      A reportagem especial “A vida com instruções“ (09 de janeiro)
foi   um   presente   para   todos   que   buscam   entender   a   arte   da
convivência e superar os desafios para iniciar 2008 de bem com
a vida.
Hugo Lins Coelho
                                                                                                                  
                                                                                                               Recife-PE
                            (Revista Veja, ed. 2043, ano 41, nº. 2, 16 jan.2008, p. 24)

• criticar: 
Gostaria de deixar registrada a minha indignação com a postura
do governo Lula de mais uma vez aumentar os impostos, sendo
que, com a maior cara-de-pau, disse que não iria fazê-lo, mas,
sim, diminuiria os gastos públicos.
                                                       (“Pacote de maldades” 9 de janeiro”)
                                                                                                           
Alexandre Cavalcanti
                                                                 São Paulo-SP
  (Revista Veja, ed. 2043, ano 41, nº. 2, 16 jan. 2008, p. 24)


• opinar: 
                      Concordo plenamente com Gustavo Ioschpe e cumprimento pela
oportunidade e clareza com que trouxe à baila um assunto que  tem   sido   omitido   nos   debates   educacionais.   O   fato   de   os sindicatos   terem   como   primeiríssimo   objetivo   defender   os interesses salariais dos professores contradiz tudo aquilo que o Brasil   mais   necessita   na   área   educacional:   professores competentes e motivados a ensinar aos alunos os conteúdos que eles precisam aprender e ajudá-los a se organizar para o estudo,
tudo   isso   em   ambiente   prazeroso,   fruto   do   bom   diálogo   entre professor e aluno.
                                                                                                                             
                                            
                                                                                                Ignez Martins Tolli
                                        Ph.D. em Educação pela Universidade de Londres    Brasília-DF
                                     (Revista Veja, ed. 2044, ano 41, nº. 3, 23 jan.2008, p. 25)

• retificar: 
Leio toda semana a coluna de Millôr, que considero um ótimo escritor. Mas na desta semana (“As maravilhosas maravilhas da natureza”, 16 de janeiro) percebi um equívoco. Ele se refere às Sete Quedas do Iguaçu, porém elas não existem mais, sumiram com a instalação de Itaipu. O ponto turístico que hoje pode ser visitado se chama Cataratas do Iguaçu.
                                                         
Leticia Corioletti
 
Joinville-SC
                                        (Revista Veja, ed. 2044, ano 41, nº. 3, 23 jan.2008, p. 26)

• comunicar:
                         Em   complementação   ao   quadro   “Por   que   as   latas   de   óleo
sumiram” (Veja essa, 16 de janeiro), destaca-se o fato de que a  substituição da lata de metálica pela embalagem plástica para o acondicionamento de óleo alimentício decorreu da preferência 13 do consumidor brasileiro. Além de resistente e transparente, a
embalagem PET é escolhida pela dona-de-casa por ser prática e higiênica,   contando   com   a   tampa   e   bico   e   dosador   da quantidade.   A   maioria   dos   fabricantes   de   óleo   combustível garante   o   mesmo   prazo   de   validade   para   o   produto
acondicionado em ambas as embalagens, e muitos não utilizam conservantes.
                                                                                 
Carlo Lovatelli
     Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de ÓleosVegetais (Abiove)
                                                                                                     São Paulo-SP
 (Revista Veja, ed. 2044, ano 41, nº.3, 23 jan. 2008, p. 26)

• agradecer:
         Há cerca de três anos fui a uma dermatologista e, entre outras coisas, ela me disse que o sol só servia para dar câncer , que nem brancos nem negros deveriam se expor a ele, jamais! Que esse negócio de absorção de vitamina D é uma bobagem etc.
Eu saí da sala dessa  médica  totalmente chocada  e arrasada, principalmente   porque   sou   apaixonada   pelo   sol.   Portanto,   foi com muita alegria que li a reportagem. Os estudos só vieram confirmar o que já sentia na própria pele: o sol me faz muito bem do que mal. Agora, sim, vou poder tomar o meu solzinho com 90% de proteção e 0% de paranóia. E viva o sol, viva o verão, viva o calor!
 
Adriana Domingues
                                                          Diadema-São Paulo
(Revista Veja, ed. 2044, ano 41, nº. 3, 23 jan. 2008, p. 22)

• solicitar:
                          Roberto Civita se expressou com maestria sobre 2007. Cabe à   classe   dominante   seguir   ao   menos   50%   desse   formidável escrito , e melhorará muito o nosso país. Que seja respeitada a opinião   pública   de   forma   contínua   e   que   nossos   políticos
honrem seus cargos  e assumam  suas  personalidades em prol da sociedade.
                                                                                                Diógenes Pereira da Silva
                                         (Revista Veja, ed. 2043, ano 41, nº. 2, 16 jan.2008, p. 31)
 
        
         Por meio destes exemplos, podemos verificar que as funções reais de   uma   carta   do   leitor   são   variadas,   já   que   podem   atender   a   diversos propósitos comunicativos. Em vista disso, compreendemos que o gênero cartas do leitor é capaz de promover o ensino da língua materna dentro de uma concepção de língua como interação entre usuários e de ensino como trabalho produtivo (não repetitivo).
        A literatura atual elege o texto como o objeto de ensino de língua portuguesa. No entanto, não é suficiente apenas colocar o foco do ensino e continuar  trabalhando  com propostas inertes ou mecânicas. É preciso que o professor oportunize o contato dos alunos com os variados gêneros que existem efetivamente na vida em sociedade. Também é necessário
que o texto seja compreendido como a concretização da língua, por meio do qual os interlocutores interagem.
         Segundo  as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (2008) os gêneros textuais devem orientar a ação pedagógica na sala de aula, uma vez   que   constituem   práticas   sociais,   ou   seja,   são   atividades   humanas exercidas com e na linguagem.
         Em   vista   disso,   analisamos   a   seguir   algumas   atividades   práticas, editadas   em   livros   didáticos   sobre   o   gênero   cartas   do   leitor,   que   são sugeridas aos alunos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES,   Irandé.  Aula de Português: encontro e interação.  2   ed.Parábola, 2003.
 BAKHTIN,   Mikhail   (VOLOCHINOV,   V.   N).  Marxismo   e   Filosofia   da linguagem.Trad.Michel Lahud e Yara Frateschi. São Paulo: Hucitec, 1986.
BAKHTIN,   Mikhail   (VOLOCHÍNOV,   V.   N).  Marxismo   e   Filosofia   da linguagem. Trad. Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. 9. ed. São Paulo: Hucitec,2002.
______.Gêneros do discurso. In:  Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
BANDEIRA, Manuel. In:  Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
BRAIT,B.  Bakhtin,   dialogismo   e   construção   de   sentido. Campinas:Editora da Unicamp, 1997.
BEZERRA, Maria Auxiliadora. Por que cartas do leitor na sala de aula? In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A.  Gêneros textuais e ensino. 3. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
CARVALHO,   Regina   Célia,   LIMA   Paschoal   (orgs)  Leitura:   Múltiplos Olhares. Ed. Mercado de Letras Edições e Livraria Ltda, 2005.
DELMANTO,   Dialeta;   CASTRO,   Maria   Conceição.  Português Idéias e Linguagens,   8ª   série,   ed.   Reformulada-   2006-   1ª   tiragem   2007,   Ed.Saraiva.
FARACO,   C.   A.;   CASTRO,   G.  Por   uma   teoria   lingüística   que fundamente o ensino de  língua materna.  In.  Educar   em   Revista.Curitiba, v. 15, 2000.
FARACO,  C.  A.;  TEZZA,   Cristóvão.  Oficina de Texto.  São  Paulo:   Vozes,2001.

LOPES-ROSSI, M.A.G. ( Org.) Gêneros discursivos no ensino de leitura e produção de textos.Taubaté:  Cabral  Editora  e  Livraria  Universitária,2003.
MARCUSCHI,   L.   A.  Da fala para a escrita autografado.   São   Paulo:Cortez, 2001.
MARCUSCHI, L. A.  Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P.; MACHADO,A R.; BEZERRA, M. A.(Orgs.) Gêneros textuais & Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.

MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita. São Paulo: Cortez, 2003.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e funcionalidade. In: DIONÍSIO,
A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A.  Gêneros textuais e ensino.  3.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
MARCUSCHI,   L.   A.  Da   fala   para   a   escrita   -   atividades   de retextualização. São Paulo: Cortez, 2006
MEURER,   José   Luiz,   MOTTA-   ROTH   Désirée.(orgs)  Gêneros textuais e práticas discursivas. São Paulo-SP: Edusc, 2002.
PARANÁ, Secretaria de Estado de Educação.  Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa para os anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, Curitiba: SEED, 2008.
PIVOVAR,   Altair.  O parlamento das gralhas  In.  Educar   em   Revista. Curitiba, n.20, p.87-105.2002. Ed. UFPR
REVISTA CAPRICHO. São Paulo: Ed. Abril, 2008. Semanal.
REVISTA VEJA. São Paulo: Editora Abril, 2008. Semanal.
SARGENTIM, Hermínio. Montagem e desmontagem de textos. 1ª ed.São Paulo: Ibep, 1999.

1 comentários:

Anônimo disse...

Entao esse comentario que estou fazendo é uma carta ao leitor?
=D

Postar um comentário

DEIXE SEU RECADO.

visitantes on line