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terça-feira, 15 de março de 2011

Não consigo

Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola 
primária do estado de Michigan, Estados Unidos. Ele era supervisor e 
incentivador dos treinamentos que ali eram realizados e um dia viveu uma 
experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou: * 
* 
Tomei um lugar vazio no fundo da sala e assisti. Todos os alunos estavam 
trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e 
pensamentos. Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a 
folha de "não consigos".* 

*
"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."* 
*"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números."* 
*"Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."* 
*
Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam
fazer.* 
*
"Não consigo fazer dez flexões."* 
*"Não consigo comer um biscoito só."* 
*
A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar
com a professora o que estava acontecendo e percebi que ela também estava
ocupada escrevendo uma lista de "não consigos". * 
* * 
*Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam
trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para
o meu lugar e continuei minhas observações. Os estudantes escreveram por
mais dez minutos. A maioria encheu sua página. Alguns começaram outra.
Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio
e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da
professora.* 
*
Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna acrescentou
as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do
corredor. Os alunos a seguiram. E eu segui os alunos. * 
*
Logo à frente a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá.
Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais
distante do playground. Ali começaram a cavar. Iam enterrar seus "não
consigo"! Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi
depositada no fundo e rapidamente coberta com terra. Trinta e uma crianças
de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.* 
*
Donna então proferiu louvores.* 
*
"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do 'não consigo'.
* * 
*Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de
alguns mais do que de outros. Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada
instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até
mesmo na casa branca. Providenciamos um local para o seu descanso final e
uma lápide que contém seu epitáfio. Ele vive na memória de seus irmãos e
irmãs 'eu consigo', 'eu
vou' e 'eu vou imediatamente'. Que 'não consigo' possa descansar em paz e
que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua
ausência. Amém."* 
*
Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a
lição.A atividade era simbólica: uma metáfora da vida. O "não consigo"
estava enterrado para sempre. Logo após, a sábia professora encaminhou os
alunos de volta à classe e promoveu uma festa. Como parte da celebração,
Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não
consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo. A lápide de
papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano.* 
*
Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna
simplesmente apontava o cartaz descanse em paz. O aluno então se lembrava
que "não consigo" estava morto e reformulava a frase. * 
*
Eu não era aluno de Donna. Ela era minha aluna. Ainda assim, naquele dia
aprendi uma lição duradoura com ela. Agora, anos depois, sempre que ouço a
frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série. Como os
alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto.* 
*
Baseado em texto de Chick Moorman do livro Canja de Galinha, ed. Ediouro*


Pessoal adorei essa história , agradeço a prof Cla Maciel que me mandou pelo grupo dos prof solidários.

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